Parte I
Um líder que respeita o seu povo não o deixa ao alcance dos mercenários e salteadores transnacionais. Um governo que respeita todas as pátrias e respeita os filhos da própria pátria planeja a sua proteção. É visionário e semeia sempre. Cuida da lavra, da produção e da colheita e faz reservas nos anos bons para que seu povo não passe necessidade nos tempos difíceis.
Um povo soberano precisa de um governo independente e soberano que compreenda as suas necessidades presentes e futuras e tenha planos de longo prazo.
Para se emancipar, desenvolver-se e manter-se soberana uma sociedade precisa inexoravelmente de energia. Para tanto, precisa observar com minúcia e cautela. Precisa estudar e trabalhar com perseverança para identificar fontes energéticas, desenvolve-las e produzi-las na medida das suas necessidades presentes, protegê-las e preserva-las para as gerações futuras.
Nesse sentido há quase cem anos a maioria do povo brasileiro luta persistentemente buscando garantir a propriedade de suas fontes energéticas e dos benefícios que elas podem proporcionar e que, por direito, são de todos os brasileiros. Correndo todos os riscos, trabalhando, derramando sangue e perdendo vidas na busca de fontes de energia, na mobilização e na luta o povo construiu a Petrobras e desenvolveu a atividade petrolífera brasileira, sob responsabilidade e controle do monopólio estatal. A despeito dos algozes tudo deu certo.
Provada a existência de petróleo em terra, a Petrobras se fortaleceu e foi pro mar, até águas profundas e grandes campos petrolíferos. Os segmentos alinhados a interesses externos não podiam mais negar a inteligência brasileira e o sucesso da Petrobras.
Os vendilhões do PSDB, do PFL (DEM) e seus aliados, prometendo bem-estar social e melhores dias, traíram o povo ao desencadear a maior onda de entreguismo do patrimônio público registrado na história brasileira
Então os vendilhões do PSDB, do PFL (DEM) e seus aliados, prometendo bem-estar social e melhores dias, traíram o povo ao desencadear a maior onda de entreguismo do patrimônio público registrado na história brasileira. No poder tramaram contra o povo, desprezaram a sua luta histórica pelo petróleo e a vitória da campanha “O petróleo é nosso”, consolidada com a aprovação da lei 2.004/53.
Mexeram na Constituição. Criaram a lei 9.478/97. Quebraram o monopólio estatal e revogaram a lei 2004/53. Entregaram ações da Petrobras e dos blocos petrolíferos a preço de bananas. Deram a propriedade do petróleo para os estrangeiros. Desencadearam ações políticas contra os interesses nacionais e contra a Petrobras. Impediram investimentos, fragmentaram a empresa, transferiram ativos, deram as condições para uma onda de acidentes de grandes proporções, derramaram bilhões de litros de petróleo nos rios e no mar, afundaram a P-36, maior plataforma do mundo na época, com 11 trabalhadores à bordo. Verdadeiros crimes de lesa-pátria.
Não há nenhuma dúvida sobre os malefícios do atual modelo de exploração de petróleo no Brasil e a quem ele realmente interessa. Não há bem na lei de concessões 9.478/97. Ela subtrai a propriedade do povo, implanta a discriminação entre os estados da federação, facilita o acesso externo às informações estratégicas sobre as fontes de petróleo, expõe as fronteiras energéticas ao perigoso poder das petrolíferas transnacionais, compromete a soberania nacional e a possibilidade do desenvolvimento humano e da emancipação do povo brasileiro.
O Brasil já é auto-suficiente em produção de petróleo. Através da Petrobras o país descobriu reservas gigantescas de petróleo. Está organizado para o desenvolvimento e precisa dessa fonte de energia e da riqueza por ela gerada para resgatar dividas históricas com o seu povo e para dar vida digna para milhões de brasileiros idosos, adultos, jovens e crianças. Nenhuma empresa privada abrirá mão de seus lucros para benefícios sociais, muito menos para resgate da cidadania e da soberania de qualquer povo. As empresas privadas estrangeiras, beneficiadas pela lei 9.478/97, não tiveram nenhuma participação na conquista da auto-suficiência e nada contribuíram para a economia e nem o bem-estar social no Brasil.
Cairo Garcia Corrêa
Secretário de Política Setorial do Setor Petróleo, Petroquímica e Energia
Confederação Nacional do Ramo Químico da CUT – CNQ/CUT